Post by Vici, The Journal.

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Em 2016, a Loggi quase quebrou. A startup que hoje processa mais de um milhão de pacotes por dia estava queimando caixa para montar estrutura em todo o país e, nas palavras do próprio fundador, jogava no último minuto do segundo tempo. O aporte que a salvou chegou no começo de 2017, no limite. Três anos depois, ela seria um dos unicórnios mais emblemáticos do Brasil. A distância entre quase falir e valer mais de US$ 1 bilhão cabe numa única decisão: insistir na tese certa quando todos os indicadores diziam para parar. A história começou em 2013, numa caminhada pela Avenida Nove de Julho em São Paulo. Fabien Mendez , francês com passagem pelo mercado financeiro, ouviu o som constante das motos de entrega no trânsito e enxergou ali uma malha logística inteira esperando para ser organizada. Junto com Arthur Debert , fundou a Loggi começando pelo básico: entrega de documentos. Em 2015, migrou para o e-commerce. Foi essa virada que transformou um serviço de motoboy em infraestrutura nacional. O salto veio com capital e tecnologia operando juntos. Em junho de 2019, após rodada de US$ 150 milhões liderada por SoftBank e Microsoft, a Loggi cruzou a marca de US$ 1 bilhão em valuation e entrou para a lista de unicórnios brasileiros. Em março de 2021, captou mais R$ 1,15 bilhão na Série F, a maior rodada da sua história. Ao todo, somou cerca de R$ 2 bilhões em aportes, com investidores como IFC, Dragoneer, Kaszek, Monashees e Qualcomm Ventures. A pandemia acelerou tudo: o volume de operações cresceu 360% em 2020. Mas o capítulo mais interessante da Loggi não é o crescimento. É o que veio depois dele. Por quase dois anos, a empresa sumiu dos holofotes de propósito. Iniciada sob a gestão de Thibaud Lecuyer (que liderou a transição de CFO para CEO) e hoje consolidada pelo novo comando de Rafael Szarf a prioridade deixou de ser hypergrowth e passou a ser saúde financeira. O resultado é raro no setor: a Loggi mantém centenas de milhões de reais em caixa, mais do que o valor somado das maiores concorrentes, e avança consistentemente em Ebitda trimestre após trimestre. Hoje processa mais de um milhão de pacotes por dia no maior centro de distribuição automatizado da América do Sul, com IA própria definindo a melhor rota para cada entrega em tempo real. A trajetória da Loggi desenha uma lição que o ecossistema brasileiro custou a aprender. Virar unicórnio nunca foi o destino. Foi o meio. O que separa uma startup que queima bilhões de uma que constrói valor duradouro não é a rodada de captação, é o que se faz quando os holofotes apagam e sobra apenas a operação. A Loggi escolheu construir caixa em vez de manchete. Num mercado obcecado por valuation, talvez essa seja a aposta mais subestimada de todas.

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