Post by Diego Siqueira 🌱
Tropical Soils | Soil Governance | Technological Inclusion | Bioeconomy | Soil Health | Sustainable management
🌎 O solo esteve em todas as grandes histórias da humanidade. Nós apenas esquecemos de olhar para baixo. Ele sustentou conquistas, esportes, cidades, celebrações e até ajudou a moldar acontecimentos que mudaram o mundo. Qual é o solo sob o gramado das Copas do Mundo? Qual sustenta as quadras de Wimbledon e Roland Garros? Qual forma as margens dos campeonatos de canoagem? Qual estava sob nossos pés no piquenique com os filhos ou no casamento de um amigo no último fim de semana? A resposta é sempre a mesma: o solo. Agora imagine descobrir que ele também influenciou o desenvolvimento de mais de 17 mil conflitos históricos, entre 1468 a.C. e 2003, analisados por pesquisadores em um estudo publicado na Total Environment Advances e divulgado pelo Jornal UNESP - Universidade Estadual Paulista. O estudo foi liderado por Gianfranco Capra (Universidade de Sassari) e contou com a participação dos pesquisadores Antonio Ganga, Thiago Assis Rodrigues Nogueira (FCAV/UNESP) e Rafael Barroca Silva (UNESP), reunindo história, pedologia e geopolítica para mostrar que o solo sempre foi um protagonista silencioso da civilização. Em Waterloo (1815), cerca de 140 mil soldados enfrentaram um adversário inesperado. Após uma noite de chuva, Luvissolos e Cambissolos, ricos em argila, transformaram o campo em um lamaçal. Canhões perderam eficiência, cavalos atolavam e o atraso de poucas horas alterou um dos episódios mais marcantes da história europeia. Na antiga Mesopotâmia, os Neossolos Flúvicos dos rios Tigre e Eufrates favoreceram agricultura, cidades, comércio e fortificações, permitindo o florescimento de algumas das primeiras grandes civilizações. No Vietnã, os Argissolos das florestas tropicais dificultaram a mobilidade de equipamentos pesados e favoreceram quem conhecia profundamente o terreno. Na Guerra do Paraguai (1864–1870), chuvas e solos mal drenados às margens dos rios Paraguai e Paraná comprometeram logística, abastecimento e deslocamento das tropas. Não porque o solo determine decisões humanas, mas porque fatores como estabilidade, drenagem, fertilidade e textura afetam deslocamentos, infraestrutura, abastecimento e até a recuperação das paisagens após os conflitos. Essa talvez seja a maior lição. O solo não aparece nas manchetes. Não recebe medalhas. Não sobe ao pódio. Mas está presente em praticamente todos os momentos que transformam a humanidade — dos mais felizes aos mais desafiadores. Antes das cidades. Antes das estradas. Antes das florestas cultivadas. Antes da agricultura. Existe o solo. E talvez tenha chegado o momento de enxergá-lo não apenas como o lugar onde pisamos, mas como um dos maiores patrimônios da nossa história e do nosso futuro. Veja o texto completo: https://lnkd.in/dQ3a4Ubv