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No Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, convidámos a jornalista Mariana Oliveira, autora do novo podcast da RTP Antena 1, 𝗡𝗼 𝗘𝘀𝗽𝗲𝗰𝘁𝗿𝗼, a refletir sobre um tema que, embora mais discutido nos últimos anos, ainda vem acompanhado de muitos estereótipos e preconceitos. Neste texto, Mariana partilha o ponto de partida deste projeto, o seu propósito e o caminho que pretende fazer para uma compreensão mais informada, empática e inclusiva desta realidade. 𝗟𝗲𝗶𝗮 𝗮𝗯𝗮𝗶𝘅𝗼 𝗮𝘀 𝘀𝘂𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗹𝗮𝘃𝗿𝗮𝘀. Quando não conhecemos alguma coisa, o espaço em branco é em geral preenchido por preconceitos, formas pré-fabricadas de opinião que nos isentam de procurar mais explicações. A palavra “autismo”, em particular, está cheia de conotações culturais, mistificações, ideias estereotipadas do que é e pode ser; fantasmagorias espectrais que estão muito longe da realidade. Trazendo já de há algum tempo um interesse sobre o tema, fui definitivamente “empurrada” para ele quando, em setembro do ano passado, o presidente dos EUA convocou uma aparatosa conferência para desvendar as causas de uma suposta “epidemia de autismo” (os argumentos pretensamente científicos usados nesse anúncio foram quase todos desacreditados). De resto, é por aí que começamos esta série. 𝗡𝗼 𝗘𝘀𝗽𝗲𝗰𝘁𝗿𝗼 pretende, além de oferecer alguma informação básica para entrar no tema, convocar uma série de vozes que nos deem um retrato humanizado desta condição. Encontrei uma enorme diversidade de relatos e experiências e pela própria natureza da noção de “espectro”, a palavra “autismo” abrange uma variedade muito grande de realidades. Têm em comum o facto de serem experiências humanas fortíssimas: de rejeição, de desadequação, de permanente ansiedade; mas também de alegria, de superação, de sentir uma certa “excecionalidade” afirmar-se quase como um poder. Devo agradecer a delicadeza e generosidade das pessoas (autistas, mas também famílias) que nos deixam (a nós, que fazemos perguntas) entrar na sua intimidade e conhecer, pelo seu testemunho, a potência humana das experiências que atravessam. A haver algum impacto concreto de trabalhos como este, que ele seja tornar-nos (a todos, sociedade) mais amáveis para com a diferença; tornar mais fácil a vida de pessoas neurodiversas e das suas famílias num mundo que não está ainda preparado para a inclusão. Um último aspeto, mas talvez igualmente importante: 𝗡𝗼 𝗘𝘀𝗽𝗲𝗰𝘁𝗿𝗼 pretende também fazer-nos recuar a uma pulsão muito simples: o gosto quase infantil de ouvir contar histórias ao ouvido. 𝘖 𝘱𝘰𝘥𝘤𝘢𝘴𝘵 𝘕𝘰 𝘌𝘴𝘱𝘦𝘤𝘵𝘳𝘰 𝘱𝘰𝘥𝘦 𝘴𝘦𝘳 𝘰𝘶𝘷𝘪𝘥𝘰 𝘢̀𝘴 𝘲𝘶𝘪𝘯𝘵𝘢𝘴-𝘧𝘦𝘪𝘳𝘢𝘴 𝘦𝘮 𝘢𝘯𝘵𝘦𝘯𝘢𝟣.𝘳𝘵𝘱.𝘱𝘵 𝘦 𝘯𝘢 𝘙𝘛𝘗 𝘱𝘭𝘢𝘺.