Post by Ricardo Frizera
Sócio-diretor da APEX Partners | Forbes Under 30
A montadora chinesa Great Wall Motor, a GWM, escolheu Aracruz, no Norte do Espírito Santo, para instalar sua segunda fábrica no Brasil. O projeto foi lançado nesta terça-feira (30), em Barra do Riacho, no próprio terreno onde a unidade será construída, e marca um dos movimentos industriais mais relevantes já anunciados para o estado: a planta deve receber investimento bilionário – estimado em US$ 1 bilhão –, sendo a maior operação da GWM fora da China, ter capacidade planejada para produzir 200 mil veículos por ano e gerar mais de 9 mil empregos diretos em plena operação. A escolha do Espírito Santo não foi automática: o estado disputou o investimento com outros cinco estados brasileiros e também com outros países. No fim, pesaram a localização estratégica, a proximidade com a infraestrutura portuária e a estabilidade institucional. Logística, escala e ambiente de negócios O principal diferencial de Aracruz está na combinação entre indústria e logística. A futura fábrica ficará a cerca de 500 metros do Portocel, o que facilita o escoamento da produção para a América Latina e, futuramente, para a Europa. Em um setor no qual custo logístico, previsibilidade e acesso a mercados pesam diretamente na competitividade, a localização foi decisiva. A nova unidade também nasce com outra escala. A fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo, tem capacidade atual de aproximadamente 40 mil veículos por ano. Em Aracruz, a capacidade planejada é de 200 mil carros por ano. Na prática, a planta capixaba poderá ter uma capacidade cinco vezes maior que a atual operação paulista da montadora. A fábrica será multienergia, com previsão de produzir veículos elétricos, híbridos e, possivelmente, modelos a combustão. A intenção é montar no Espírito Santo modelos das linhas Ora e Haval, em uma etapa mais robusta da estratégia da GWM para ampliar presença no mercado brasileiro.