Post by Renata Vilhena
Especialista em Gestão Pública
Ontem, na Prefeitura de Nova Lima, conduzi com a Camila Neves a terceira de seis oficinas de cadeia de valor que integram um projeto fruto de uma parceria entre a Fundação Dom Cabral e a prefeitura. Na primeira parte, mapeamos com os servidores das secretarias de Saúde, Obras, Planejamento e Governo os stakeholders de cada uma, e o poder e o interesse de cada um deles. Na segunda, construímos a cadeia de valor: por que a secretaria existe, o que ela entrega para cumprir esse propósito, e quais atividades geram cada entrega. O grupo foi direto às entregas finalísticas, sem se perder em processo interno pelo caminho, o que, nesse tipo de exercício, é raro. A maioria dos grupos tropeça exatamente aí. Pedimos para uma secretaria descrever o que entrega ao cidadão, e a resposta vem cheia de processo, prazo, sistema, planilha. Não porque as pessoas não se importem com o cidadão, mas porque medir sucesso em gestão pública ainda copia o instinto do setor privado: processo rodando, orçamento executado, prazo cumprido. Toda secretaria que já apagou um incêndio conhece essa sensação. Resolve o problema, todo mundo respira aliviado, e no mês seguinte o mesmo incêndio volta, como se nada tivesse sido feito. É o que acontece quando a gente mede o processo em vez de medir a mudança que ele deveria gerar. Valor público é a criança vacinada, é o aluno que aprendeu de fato, é a rua que parou de alagar. O grupo de ontem, em Nova Lima, mostrou que dá para ir direto ao que importa. A pergunta que fica é por que isso ainda é exceção, e não regra. #GestãoPública #ValorPúblico #CadeiaDeValor #FundaçãoDomCabral #NovaLima #AdministraçãoPública
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