Post by Paulo Mendes

Sociologist, entrepreneur, Human Rights activist and former Councilor of Ponta Delgada City Council. Specialist in human resources, training and coworking spaces.

Ontem cruzei-me com o Gérson na praia. 14 anos, uma bola gasta, o peito cheio: o pai é vizinho do Vozinha e “está orgulhoso do nosso país”. Eu quase não falei. Ouvi. Ainda estava rouco da noite anterior, com as emoções em turbilhão. E dei por mim a pensar que nunca tinha escutado, de um miúdo de 14 anos, tanto orgulho em ser cabo-verdiano. Hoje celebramos 51 anos de independência. A mais pequena nação de sempre num Mundial saiu invicta da fase de grupos e caiu de pé frente à Argentina. Mas esta história não começou em 2026 — começou a 5 de julho de 1975, quando um arquipélago que os relatórios davam como inviável decidiu existir pelo seu próprio nome. Entre o menino de Manuel Lopes, no romance “ Os Flagelados do Ventos Leste“que media os dias pela chuva que não vinha, e este menino da praia, vão 51 anos de reinvenção. Agora o desafio é nosso: transformar este orgulho em escola de qualidade, saúde que funcione, oportunidades que não obriguem ninguém a escolher entre a terra que ama e o futuro que sonha. O Gérson já se viu grande. Falta o país estar à altura do espelho. Os 51 anos de independência não são um ponto de chegada: são a prova acumulada de que somos capazes

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