Post by Patricia Rodrigues

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Durante os anos 90 até o início dos anos 2000, duas emissoras brasileiras travavam verdadeiras guerras por audiência. Globo e SBT usavam toda a criatividade possível para trazer quadros cada vez mais sensacionalistas, polêmicos e, muitas vezes, apelativos. A TV a cabo começava a chegar com TVA e Globosat lá em 1991, mas era um luxo para poucos. Streaming? Nem sonhávamos. Era TV aberta ou… TV aberta. Nesse cenário, valia tudo. Enquanto Faustão exibia o sushi humano, Gugu Liberato chegou a levar ao ar até uma falsa entrevista com supostos membros de facção criminosa. Era esse o nível. Mas um quadro se destacava: a icônica Banheira do Gugu. Pra quem não viveu isso, imagina a cena: uma banheira pequena, um homem e uma mulher, trajes mínimos, e quando digo mínimos, é mínimo mesmo. O objetivo? Pegar sabonetes no fundo da banheira enquanto tentavam impedir um ao outro. Entre um “segura aqui” e um “pega ali”, o que dominava eram closes nada discretos. E tudo isso no domingo, na sala da família brasileira.  Não à toa que, em 2000, o quadro saiu do ar após questionamentos do Ministério da Justiça sobre a adequação ao horário. Corta para 12 de abril de 2026. Domingo, mesmo horário. Programa do Celso Portiolli. E a Banheira do Gugu volta. Confesso que pensei “lá vem tudo de novo”. Só que não. Agora, uma versão muito mais recatada se apresentava ao público. Mulheres de shorts e tops, homens ainda de sunga, mas com uma abordagem completamente diferente, mais respeitosa, mais leve, mais alinhada com o momento atual. Qual o paralelo com marketing? Segue o fio… Rebranding é, em essência, ressignificar a imagem percebida de uma empresa ou produto, mudar a percepção do público com relação à marca.  Agora me diz se esse quadro não é um belo case de rebranding? Rebranding não acontece do nada, ele responde ao contexto, e o contexto de 1990 não tem absolutamente nada a ver com 2026. Antes, o apelativo, chocante e bizarro gerava audiência. Hoje, pode gerar rejeição. Antes, o público consumia. Hoje, ele julga, comenta, cancela e escolhe. Antes não tínhamos muitas escolhas. Hoje, opções são o que não faltam.  Ou seja: o que antes era diferencial, hoje pode ser um problema. A Banheira do Gugu não voltou mais “comportada” por acaso. Ela voltou adaptada a um novo código cultural. Isso é rebranding na prática:   – Mantém o reconhecimento – Atualiza a execução – Reposiciona a percepção Fica o aprendizado para as empresa: - Marca que não evolui com o contexto, envelhece. - Marca que insiste no passado, perde relevância. - Marca forte é a que entende o que preservar e o que transformar. Rebranding não é sobre mudar. É sobre continuar relevante em um mundo que já mudou.

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