Post by Museu das Memórias (𝘐𝘯)Possíveis
O Museu das Memórias (𝘐𝘯)Possíveis do Instituto APPOA é um museu virtual que busca inscrever histórias e narrativas.
Ainda, nesta semana, ouvi uma frase mais ou menos assim: as cicatrizes nos mostram onde estivemos, não mostram para onde iremos. Talvez, mas uma olhada atenta para aquilo que nos marca talvez nos leve a não querer isto de novo. Uma vez uma médica olhando as pernas cheias de cicatrizes de uma amiga lhe disse: deves ter tido uma infância feliz. Ela concordou. Eram cicatrizes da curiosidade, da alegria, da espontaneidade, do brincar. Mas temos outras cicatrizes. São os índios mortos, os negros mortos nos navios negreiros, os presos políticos nas valas clandestinas e 531 mil mortos em 16 meses de pandemia aos olhos de quem quiser ver. Um Estado que sabe conviver com seus diversos tem de estar, profundamente, na vida dos cidadãos, através das políticas sociais, das instituições e do patrimônio, que é de todos. Por exemplo: estamos sem água e estamos aqui. A prefeitura está terceirizando a saúde. Isso significa que cada serviço terceirizado funciona com suas regras. Muita coisa se descontinua. Os novos não conhecem a história. Rosangela Amaral de Almeida enviou suas crônicas escritas durante a pandemia de covid-19 para o projeto Testemunhos da Pandemia, realizado pelo Museu das Memórias (𝘐𝘯)Possíveis em parceria com o coletivo Testemunhos da Pandemia. Rosangela escreveu de março de 2020 a dezembro de 2021. Seu relato é profundo, difícil, verdadeiro. Nos lembra a dureza, a tristeza, a incompreensão do mundo naquele período especialmente difícil no Brasil por estarmos sob o poder de um governo genocida. Estes registros da Rosangela chegam até nós como uma ampulheta viva, onde cada grão de areia guarda um registro de memória deste tempo traumático. Um diário que faz pensar na obstinação de algumas performances artísticas que tentam capturar a passagem do tempo com o instrumento mais precioso que temos em nossas mãos: a linguagem. Um arquivo vivo dando forma a tantas dores mas também mostrando as estratégias que foi preciso inventar para sobreviver a tudo isto. Acompanhe nas redes sociais do Museu: https://lnkd.in/dkdNZB2i