Post by Mario Nozima Junior

Founder @ Tech Road | AI strategy with real execution, from first step to products in the market | Advisory, CTO Fractal & Ventures

O Claude Fable 5 está de volta, mas essa não é a notícia mais importante da semana. Depois que pesquisadores da Amazon acharam uma forma de burlar as proteções do Fable 5, fazendo-o identificar vulnerabilidades de software e, em um caso, gerar código para explorá-las, o governo dos EUA aplicou controles de exportação e a Anthropic suspendeu Fable 5 e Mythos 5. Hoje, 1º de julho, o acesso volta, com classificadores que barram a técnica em mais de 99% dos casos. A própria Anthropic classificou o caso como um jailbreak menor: modelos bem menos capazes, como Opus 4.8, GPT-5.5 e Kimi K2.7, identificavam as mesmas falhas, sem liberar capacidade ofensiva única. Ainda assim, o episódio uniu Anthropic, Amazon, Google e Microsoft num framework comum para avaliar a gravidade de jailbreaks. Mas enquanto o Ocidente discutia acesso e exportação, a China respondeu com pesos abertos e preço. Na mesma semana, a Z.ai lançou o GLM-5.2 sob licença MIT: hoje o modelo aberto mais capaz da Intelligence Index (51 pontos), a US$ 1,40/US$ 4,40 por milhão de tokens, contra US$ 5/US$ 25 do Claude Opus. E não está sozinho. O DeepSeek V4-Pro entrega 80,6% no SWE-bench Verified cerca de 28x mais barato que o Opus 4.8 por token de saída. Kimi K2.6 e MiniMax M3 chegam a 8-20% do custo dos modelos americanos. E o Qwen 3.7 Max já é o modelo chinês mais bem colocado no ranking global. A métrica que importa deixou de ser só capacidade. Virou inteligência por dólar. E existe uma terceira variável, ainda mais silenciosa, entregando ganhos tão grandes quanto trocar de modelo: o harness, a camada de orquestração em volta do modelo. A LangChain saltou de fora do Top 30 para o Top 5 no Terminal-Bench 2.0 mantendo o mesmo modelo congelado, só otimizando o harness ao redor: 13,7 pontos de ganho, o equivalente a pular uma geração inteira. O caso mais emblemático é o Sakana Fugu, lançado em junho no Japão. Muita gente o trata como um novo modelo, mas ele não é: é um orquestrador que coordena vários LLMs existentes, distribuindo papéis e montando o scaffold sob medida. Sem treinar nada do zero, a Sakana afirma que ele supera Opus 4.8, GPT-5.5 e Gemini 3.1 Pro em vários testes (em benchmarks próprios). Se o modelo é o motor, o harness é o resto do carro. E a corrida está se decidindo no carro inteiro. O retorno do Fable é só um capítulo. Não dá mais para olhar só uma dimensão: quem quiser entender para onde a IA vai precisar acompanhar além da capacidade do modelo, a segurança do acesso, custo por token e capacidade do harness. É esse olhar cruzado que trago aqui cada vez mais de perto. Me segue pra não perder a próxima virada. Fontes: Anthropic (Redeploying Claude Fable 5), LangChain (Harness Engineering) e Sakana AI (Fugu).

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