Post by Madalena Estêvão
Transforming Organizations from the inside out — people, culture and AI working together. Organizational Development Director & Intrapreneur | AI Implementation Strategist | Organizational Resilience
Corre o ano de 2026 d.c. e um dos maiores concelhos da AML não consegue fornecer água à população. Se ainda duvidam de que o desafio da década para as Organizações é a Resiliência Organizacional, pensem melhor. RO é a capacidade de toda a organização - pessoas, sistemas, processos - funcionar orientada para manter a sua resposta em todos os cenários exigentes, até onde os DADOS os conseguem fazer prever. Toda a gestão mobilizada para manter o serviço. Não é resiliência apenas na ótica da engenharia: é na ótica de toda a gestão. Onde cabe a gestão de ativos, sim, mas também a criação de uma cultura em que, a todo o momento, se decide em função da continuidade do serviço (além da qualidade, claro). Custe o que custar. A explicação que é dada às pessoas fala de circunstâncias excecionais, calor, população sazonal, consumos não autorizados. Mas os sinais estavam documentados, há anos, em fontes oficiais: - avaliação do regulador ERSAR relativa a 2023: as perdas reais atingiam 402 litros por ramal/dia, era só o segundo pior registo nacional, com classificação de "insatisfatório". - mais de 35% da água captada se perdia antes de chegar à torneira. - ERSAR (período 2019-2023): identificou a reabilitação de apenas 10,6 km de condutas 0,3% da rede. - numa década não foi construído um único novo reservatório. - os sucessivos relatórios e contas da entidade gestora, registama duplicação do número de roturas anuais na rede adutora em oito anos; - queda do investimento executado para menos de metade entre triénios. - dados divulgados pela própria autarquia mostram um consumo acima dos 300 litros por habitante/dia, face a uma média nacional de cerca de 180. Os Dados gritavam mas não se decidia com base neles. O que falhou foi, sobretudo, uma ausência de cultura de resiliência: ano após ano, exercício após exercício, decidiu-se em função de outras prioridades, não em função da sobrevivência do serviço. Almada não foi surpreendida por um sismo, por uma cheia centenária ou por um grande incêndio. Foi ultrapassada por dinâmicas humanas, previsíveis e verificáveis: demografia, sazonalidade, envelhecimento de ativos, consumo. Tudo mensurável e publicado! Se não conseguimos adaptar-nos continuamente a contextos que resultam da atividade humana, como vamos lidar com os eventos extremos naturais, cuja frequência e intensidade aumentam e que, por definição, não conseguimos antecipar com precisão? E a pergunta que todas as entidades gestoras de serviços críticos deviam estar a fazer agora é: o que estamos a aprender com isto? Estamos, organizaconalmente falando, a construir a nossa resiliência?