Post by Ivo Dias
CEO na ICONES Booking & Management | Coletivo Criativo | Valora Properties | Altiva Consulting | Quinta da Moenda Figueirinha | Líder Estratégico na Criação e Gestão de Projetos | CKC🥋 CXM♟️
As regras nas plataformas asiáticas vão mudar e, por muito que custe ao consumidor, o mercado precisava de um travão. A partir do dia 1 de julho, as compras na Temu, Shein ou AliExpress vão ficar mais caras e muito mais lentas. É lógico que o processo de desalfandegamento vai sofrer bastante e o plano está longe de ser perfeito, mas a verdade é que o modelo atual se tornou insustentável. Não sei se esta medida vai ajudar diretamente o comércio local ou nacional, pois poderá beneficiar sobretudo lojas como a Amazon e outros gigantes já estabelecidos na Europa. Mas, por muito que nos custe, as regras do mercado existem para ser cumpridas e estas multinacionais operam cá dentro, pagam impostos e enfrentam uma fiscalização apertada com multas pesadas. Não podemos querer uma economia forte se permitimos que o mercado seja inundado por fora sem qualquer controlo ou equidade fiscal. Olhando para o bolso do consumidor, a verdade é que o impacto real não será dramático. Quem fizer muita questão de comprar a sua roupa nestas lojas não vai deixar de o fazer por causa de uma taxa de 3 euros por categoria de produto. O valor continua a ser competitivo para quem procura o artigo. Onde esta mudança realmente faz sentido é na questão ambiental e na responsabilidade social. Já para não falar do trabalho infantil e da total falta de condições de trabalho nestas fábricas que todo este formato até hoje proporciona, não faz qualquer sentido continuarmos a alimentar milhares de aviões a cruzar o planeta para entregar bugigangas de menos de 1 euro que as pessoas compram apenas porque é barato, mesmo sem precisar. Esta facilidade gera uma poluição massiva e compactua com uma realidade laboral inaceitável. O fim da isenção vai obrigar-nos, enquanto consumidores, a sermos mais responsáveis e ponderados nas escolhas que fazemos.