Post by Gustavo Rodrigues da Silva

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Amanhã, sábado, terei a alegria de ver o Réquiem de Mozart, iniciativa da PRESTO Produções e Promoções Artísticas, no Santuário Sagrado Coração de Jesus. Quem tiver a oportunidade de ver uma obra dessas ao vivo, aproveite! Mozart era um “freelancer”: um gênio criativo, desorganizado e que vivia começando novas obras enquanto outras ficavam inacabadas. Em 1791 ele recebeu aquela que seria a última: uma encomenda anônima de um réquiem, uma missa fúnebre. O pagamento foi generoso, sendo parte adiantada, parte na entrega. Havia uma cláusula de sigilo absoluto, impedindo Mozart de assinar ou divulgar o trabalho. O cliente era provavelmente o conde Franz von Walsegg-Stuppach, um músico amador excêntrico que pretendia apresentar a obra como sua, em homenagem à esposa falecida. Durante o trabalho, Mozart adoeceu gravemente, vítima de uma febre que ele sabia ser fatal. Passou a ditar trechos a seu aluno e amigo Franz Xaver Süssmayr. Os 50 segundos iniciais do Lacrimosa, do vídeo, são os últimos que se sabe terem sido escritos por ele. Mesmo Süssmayr não concluiu a obra, e a viúva de Mozart, Constanze, pediu ajuda ao músico Joseph von Eybler para finalizá-la e receber o restante do pagamento. Há relatos de que Mozart, já debilitado, acreditava estar compondo seu próprio réquiem, o que dá à peça uma aura quase profética. O Réquiem em ré menor, K. 626 acabou se tornando uma das obras mais admiradas de Mozart, um marco da música erudita e sacra universal. Mesmo sendo a história de um músico do século XVIII, conseguimos nos identificar com suas aflições: cobranças, prazos, entregas, pagamentos. A morte continua sendo a mesma para todos nós. Sinceramente, se eu estivesse à beira da morte, não me preocuparia com um job incompleto... Mas, para Mozart, era mais do que trabalho, era a beleza da arte e o sentido espiritual de um réquiem, os quais também seguem sendo sendo atemporais. Bom fim de semana a todos!

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