Post by Gustavo Petras
Economista • Sócio Rockenbury Capital | Analiso empresas e mercados que os outros ignoram | Eduzz
A revolução da robótica autônoma que nasceu em Araçatuba. Controlam 90% das usinas de cana. As usinas funcionam com um sistema criado por engenheiros cubanos numa sala no interior de São Paulo. Quase ninguém fora do agronegócio sabe o nome da empresa. A Solinftec foi fundada em 2007 por Britaldo Hernandez, engenheiro de automação que deixou Cuba, chegou ao Brasil em 1998 e passou anos desenvolvendo soluções para o setor sucroenergético. O primeiro cliente foi a Cosan. Um cheque de R$ 1 milhão da usina Clealco colocou o negócio em pé. Hoje a empresa monitora 13 milhões de hectares em tempo real em 11 países. 800 funcionários, 330 exclusivamente em pesquisa e desenvolvimento. Investe entre 30% e 40% da receita em P&D, proporção de empresa farmacêutica, não de agtech. Receita recorrente em 2024: R$ 370 milhões, crescimento acima de 20%. Meta para 2025: R$ 450 milhões. Empresa já no breakeven, sem depender de nova captação. Em 2024 recebeu aporte de R$ 300 milhões da Yvy Capital, gestora fundada pelo ex-ministro Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES Gustavo Montezano. O produto que mais chama atenção: o Solix, primeiro robô agrícola movido a energia solar do mundo. Monitora a lavoura, faz pulverização seletiva e caça insetos durante a noite de forma autônoma. Já opera em fazendas nos Estados Unidos, onde a Solinftec instalou escritório no campus da Universidade de Purdue e construiu fábrica de robôs em solo americano. O Brasil que alimenta o mundo está sendo digitalizado por cubanos que escolheram ficar aqui. Isso não saiu de São Paulo. Não saiu do Vale do Silício. Saiu de Araçatuba. Qual outra empresa brasileira de tecnologia agrícola você acha que tem esse mesmo nível de impacto global e ainda está completamente fora do radar? Deixa sua visão nos comentários.