Post by Guilherme Caiola

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Vendi meu carro para levar minha mãe para a Disney. (logo depois da morte do meu pai) Escutei desde criança minha mãe falar sobre a Disney. Era o sonho da vida dela. A gente sempre foi simples. Nunca nem soubemos o que era passaporte. Minha mãe é farmacêutica. Meu pai era... correria. Comerciante, caminhoneiro, empresário, vendedor de torresmo, montador de móvel, dono de loja. Tive a melhor criação possível. Tive de tudo – desde o essencial até pequenos luxos. Nunca tivemos fartura – mas nenhum aniversário meu passava sem um bolinho com Coca-Cola. Eu estava na faculdade estudando Design. Até que a notícia do câncer desabou nossa vida. Mieloma múltiplo. Câncer terminal. Meu pai já tinha levado um tiro na cabeça para proteger minha mãe de um assalto. (E só perdeu a audição de um ouvido – mas essa é outra história.) Dessa vez, a gente sabia bem o que ia acontecer. Quer dizer... eu sabia. Só não conseguia aceitar. Foram 4 anos desde o diagnóstico. 16 de janeiro de 2023 – ele se foi. Eu estava lá com ele. Na sala do hospital. A vida me deu o privilégio de não deixar ele passar por isso sozinho. Ouvindo o "bip... bip" dos aparelhos. A correria de médico, o desespero das enfermeiras. Antes do silêncio, lembro bem do que ele me disse: "Cuide da sua mãe, o grande amor da minha vida." Meu pai foi o homem mais corajoso que eu conheci. Eu vi, com meus próprios olhos, ele encarar a morte com uma coragem que eu nunca tive para encarar a vida. Até nesse dia, ele me ensinou. Me mostrou que eu estava me acovardando. Que eu tinha medo: - Medo de criar. - Medo de fazer. - Medo de me expor. - Medo de ser julgado. Eu, infeliz no CLT, porque empreender é arriscado né? Logo eu, filho do homem que às 5h da manhã já estava trabalhando. Ganhando a vida na cara e na coragem, sem nem ter concluído o ensino médio. - E eu querendo mais tempo para me preparar. - Mais uma pós-graduação para me estruturar. - Mais um curso para me sentir seguro. Eu queria a certeza de alguma coisa. Eu queria ouvir ele me dizendo o que fazer. Mas agora ele não estava mais aqui. E eu não suportava mais viver como um covarde. Não era justo. Eu queria dar esperança para minha mãe. Eu queria realizar o sonho dela. Trazer felicidade para um mundo que tinha desmoronado sobre a nossa cabeça. Então, vendi meu carro. Meu Gol G5 preto, meu xodó. Peguei R$ 32 mil na mão e fui na CVC. 15 dias em Orlando. Disney, SeaWorld, Universal. Tudo que a gente tinha direito. No show de fogos do Magic Kingdom, Peguei a foto do meu pai, que sempre levo na carteira... E senti, pela primeira vez na vida, Que eu estava tendo a coragem de fazer algo. - De me arriscar. - De criar. - De viver. ------------------------- Uma carta ao meu pai - Wagner Caiola. Muito obrigado, por me ensinar mais sobre coragem do que qualquer livro no mundo. Todos os dias vou te dar motivo para orgulho, gordão. Você é - e sempre foi - o meu melhor amgo.

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