Post by Alison Rodrigo Fedel

Integrated Designer

A Herbíssimo passou por um rebranding conduzido pela Ana Couto. E, como sempre, apareceram os comentários de designers e profissionais da área criativa: "não teve impacto visual nenhum", "o cliente não vai perceber a mudança", "tinha espaço pra ser mais agressivo". É sério que a proposta é destruir a cara de uma empresa que tem 40 anos de mercado? Isso é muito grave. E revela um problema real na forma como o mercado criativo brasileiro avalia trabalho de marca. Parece que existe uma cultura de impressionar o designer. De levantar selo. De ganhar premiação. De buscar reconhecimento de outros profissionais da área — porque assim eu me posiciono como referência e vendo meu curso depois. Enquanto o foco está nisso, eu penso diferente. O foco tem que estar no cliente. No público-alvo dele. No consumidor que pega esse produto na gôndola há 30 anos e precisa continuar reconhecendo. Rebranding não é redesign. Não é jogar fora e começar do zero. É evoluir sem destruir o que já funciona. A tipografia evoluiu. A cor se manteve. A forma é a mesma. O consumidor reconhece sem pensar. Isso não é falta de coragem. Isso é o trabalho mais difícil que existe em marca. Qualquer um faz do zero. Evoluir sem quebrar exige método, repertório e respeito pela história de quem construiu aquela empresa. O rebranding mais caro não é o que tem o maior orçamento. É o que destruiu décadas de reconhecimento porque alguém queria "ousar mais" pra ganhar like de designer. Se o critério pra avaliar um trabalho de marca é "ficou diferente o bastante pra impressionar colega de profissão" — o critério está errado. O critério é um só: funcionou pro negócio do cliente? Se sim, o trabalho é bom. Independentemente de quantos selos ele rendeu.

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