Post by Eloisa Torlig
Doutora em Administração | Pesquisadora | Professora | Coordenadora de Projetos |
Nasci no interior de Goiás e cresci ouvindo sobre o Césio-137, mas era muito nova pra entender o que aconteceu. Um pó que brilhava azul, bonito, fascinante. As pessoas tocaram, mostraram pra família, deram de presente... Assisti Emergência Radioativa (Top 1 global da Netflix) e o que mais me pegou foi perceber como tudo poderia ter sido diferente. Um pouco de spoiler, tá. A série é sobre: ◼️ Assimetria de informação. A distância entre quem sabe e quem sofre as consequências por não saber. (Isso incomoda tanto vocês como mexe comigo?) ◼️ Negligência institucional. Um equipamento de radioterapia abandonado numa clínica desativada. Ninguém fiscalizou, ninguém recolheu, ninguém fez NADA. ◼️ Estigma. Goiânia inteira foi marcada. Produtos de Goiás eram recusados e o medo tomou conta do estado todo. ◼️ Memória. Muita gente no Brasil nunca ouviu falar do Césio-137. A série, com todos os seus méritos e críticas, trouxe isso de volta. (Ainda não engoli o fato de não ter sido gravada em Goiânia 🤡) Pra quem é de gestão, formula políticas públicas ou toma decisão: é uma aula e um soco no estômago. Falha de fiscalização, crise na gerência de crise (irônico), jogos políticos, impunidade, ciência chegando tarde.. Tudo isso custa vidas. Nesse caso, várias!! Além das marcas que ainda permanecem. Lembrar dói, mas esquecer custa mais caro. Se você ainda não assistiu, assista. #Memória