Post by David Cordeiro da Silva
Coordenador de pastoralidade - Pró‑Reitoria de Identidade e Missão - Universidade Católica de Brasília | Teologia| Filosofia | Gestão de pessoas | Pós graduado em formação
Há lugares que ampliam o mapa do mundo e outros que ampliam o mapa de nós mesmos. A missão de voluntariado UBEC - União Brasileira de Educação Católica 2026 me levou aos dois. Estar na Amazônia acreana, em Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, próximo ao extremo oeste do território nacional, foi experimentar uma distância que não se mede apenas em quilômetros. Estava muito longe de onde estou hoje, mas ainda mais distante de onde vim. E, paradoxalmente, foi ali que encontrei um novo lugar de pertença. Agora carrego mais um lar. Uma casa em um território de clima equatorial, marcado pela exuberância da floresta, pela força das águas, pela resistência dos povos originários e pelo profundo respeito à própria cultura. Um lugar onde a vida pulsa em outro ritmo e nos convida a reaprender a escutar, a contemplar e a estar presentes. Conhecer o Colégio Católica São José, um colégio social do nosso grupo, foi um dos muitos presentes dessa missão. Mais do que isso, foi poder estar presente e reafirmar que, mesmo distantes, seguimos pertencendo à mesma missão. A riqueza da experiência esteve, sobretudo, nos encontros: caminhar ao lado de companheiros da pastoralidade, estudantes, docentes, técnicos administrativos, religiosos e religiosas, partilhando a mesma missão e o mesmo propósito. Pisar naquele chão, entrar nas águas do Croa, conduzir momentos de espiritualidade, sustentar espaços de partilha e acompanhar o trabalho missionário foram formas concretas de compreender que realizar missão também é deixar-se atravessar. Volto diferente. Não porque o Acre tenha respondido às minhas perguntas, mas porque a região amazônica me ensinou perguntas melhores. A missão terminou, mas uma parte de mim permaneceu às margens do Juruá, lembrando que pertencemos menos aos lugares que habitamos do que aos encontros que eles tornam possíveis.