Post by Celso Guerra

Subsecretário de Estado de Desenvolvimento Regional | Liderança, Gestão de inovação: executivo de carreira público/privada, sólida formação prática e acadêmica e vivência internacional. 25+ anos em direção de empresas.

Teremos uma montadora. E agora? O início da implantação da fábrica da GWM em Aracruz resultou de cerca de dois anos de articulação em que o governo do Espírito Santo atuou como principal indutor, mas não como protagonista único. A iniciativa de atrair o projeto e ação ativa em sua captura partiu do governador Ricardo Ferraço, construída sobre as bases lançadas na gestão do então governador Renato Casagrande, quando as primeiras tratativas foram apresentadas ao estado e a industrialização foi assumida como prioridade explícita de diversificação econômica. O Espírito Santo competiu com outros estados e com outros países para receber este grande investimento e venceu articulando condições que nenhum concorrente reunia integralmente. O papel do governo foi não só o de executor direto através da SEDES e NOVA ES mas principalmente o de orquestrador de condições estruturantes junto a instituições e empresas. Do lado público, incentivos industriais, segurança jurídica, licenciamento ambiental e parceria com o Senai para formação de mão de obra, com previsão de intercâmbio de qualificação na China. Do lado privado, a logística já consolidada: o Estado concentrava mais de 90% das importações de veículos eletrificados do Brasil, e a GWM, parceira dos portos capixabas, conhecia na prática o profissionalismo local. A escolha de Aracruz refletiu a convergência entre infraestrutura portuária, localização estratégica, disponibilidade energética e a capacidade do governo de costurar esses ativos numa proposta competitiva. O empreendimento tem escala transformadora para a economia capixaba. integra o plano bilionário da GWM no Brasil, com capacidade de chegar a 200 mil veículos produzidos/ano, 10 mil empregos diretos e indiretos na operação plena, além de 1.500 a 3.500 postos nas obras com início de produção em 2029. As linhas Ora e Haval atenderão ao mercado nacional e a exportação para a América do Sul e a Europa, via acordo Mercosul-União Europeia. Para um Estado historicamente concentrado em commodities, é a primeira grande incursão em manufatura de bens duráveis de médio-alto valor agregado, que não substitui a vocação logístico-portuária, mas a potencializa: o ES deixa de apenas importar veículos para também exportá-los. A sustentação do projeto depende da continuidade dessa orquestração multiatores. O adensamento da cadeia já está em andamento. A ArcelorMittal prepara uma unidade de tiras a frio e galvanização que permitiria ao aço capixaba abastecer a nova indústria. A própria GWM sinalizou que atrairá fornecedores para a região. Como a operação começará com componentes importados, o efeito multiplicador pleno dependerá do avanço do conteúdo local, exigindo coordenação entre governo, montadora, empresas locais, sistema S e operadores logísticos. É a continuidade dessa capacidade de articulação comprovada em ação e resultado que credencia o Estado a disputar a segunda onda de investimentos automotivos chineses em expansão e chegando no Brasil.