Post by Carolina Tomaselli

História da Arte e Arquitetura - experiências com conteúdo

Pegando o gancho do feriado de 21/04, apresento-lhes as mulheres que estão representando o Brasil no Pavilhão da Bienal em Veneza esse ano. Começo por Adriana Varejão, pois lembrei da 24a bienal de SP de 1998, onde ela trouxe recortes de Tiradentes (ele mesmo) a partir do quadro de Pedro Américo que falava sobre o esquartejamento de Joaquim José da Silva Xavier (1746–1792). Militar, dentista e ativista político brasileiro, mártir da Inconfidência Mineira. Liderou o movimento contra os altos impostos da Coroa Portuguesa e a exploração colonial, buscando a independência de Minas Gerais. Foi o único enforcado no RJ em 21 de abril de 1792. A obra de Adriana traz fragmentos da história, em 21 telas de diferentes formatos, que ela fez a partir de espelhos que refletiam a pintura base de Américo, em seu ateliê. Revela, de forma brutal, a nossa historia e tantas feridas que ainda seguem abertas. O nome? “Um entre outros”. Tiradentes ficou conhecido. Mas quantos sem o nome revelado ainda tiveram a vida ceifada? História que se repete todos os dias, até hoje. Diane Lima, jovem, nasceu em 1986, em Mundo Novo, BA. É curadora, pesquisadora, escritora e uma das principais vozes do feminismo negro na arte contemporânea brasileira. Em 2023, foi uma das curadoras da 35ª Bienal de SP (coreografias do impossível). Eu diria que ela é o elo que une Varejão, que conta histórias, a Paulino, que as vive. Uma ponte entre mundos tão diferentes no mesmo país unidos pela arte. Rosana Paulino, artista visual, Dra. pela ECA/USP, traz a pesquisa do ponto de vista de quem vê, como mulher negra, as questões que infelizmente seguem atuais até hoje, abordando o racismo e estigmas deixados pela escravidão que circundam sua condição e de tantas outras na sociedade brasileira, assim a violência que não cessa. Esteve na Bienal de SP ano passado, com suas enormes telas, sendo uma, "caranguejo" incluída na coleção do museu Tate Modern, em Londres. Três mulheres incríveis com trajetórias distintas que se unem com o mesmo objetivo: mostrar as histórias de um Brasil cheio de feridas e esperança que ainda está em formação. Que a jornada nos leve a um país mais justo. Foto 1: "Tiradentes Esquartejado" (originalmente Tiradentes Supliciado), Pedro Américo,1893, óleo sobre tela, 270x165 cm, Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora (1o museu de MG) Foto 2: Instalação artística intitulada "Reflexo de Sonhos no Sonho de Outro Espelho" ou "um entre outros", Adriana Varejão, Bienal SP, 1998.  Foto 3: Rosana, Diane e Adriana Foto 4: Parede da Memória, uma instalação artística, 11 fotografias do arquivo familiar de Rosana Paulino impressas em inúmeras almofadas de tecido de algodão, 1994, Pinacoteca de SP Foto 5: Caranguejo, Rosana Paulino, 2022-2023

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