Post by Jose Eduardo Azarite

Share Holder and Corporate Innovation Executive Vice President | Innovation Strategy specialist

Em tempos de Copa do Mundo, trago aqui uma foto do Seo Domingos, meu pai, vestindo a camiseta do Palmeiras autografada pelo lendário Ademir da Guia. Inspiro-me neste post em um papo que tive com ele dias atrás e que me trouxe reflexões sobre o futuro do trabalho a partir do "layoff" pelo qual passou. Aos 83 anos — educador a vida toda, ex-Delegado de Ensino e imortal da Academia Pirassununguense de Letras —, enfrentou seu primeiro "layoff". Era professor universitário no curso de Pedagogia quando a instituição adotou um pacote Google para gerenciar todos os processos pedagógicos. A transição forçada dos registros tradicionais para as telas e nuvens foi dura. Ele se embaralhou. O sistema, implacável como costuma ser, não esperou o tempo dele. Hoje, prestes a completar 92 anos, ele mantém o intelecto afiado escrevendo uma coluna mensal para o jornal local de Pirassununga, “O CORIMBÃO”. Dias atrás, ele me confessou que a inspiração estava cobrando um preço alto considerando-se a velocidade exigida pelo editor. Heavy user da IA, sugeri de bate-pronto: "Pai, por que não usa o ChatGPT, o Gemini ou o NotebookLM para te apoiar?" A resposta dele veio de voleio, cirúrgica e dolorida: "Filho, isso vai me derrubar como na época em que me embaralhei todo lá na universidade com o tal pacote da Google." Essa frase me deu um nó no estômago, mas também me trouxe um grande insight. O Seo Domingos não tem medo de faltar conteúdo — ele tem 92 anos de repertório vivo. O medo dele é a tecnologia roubar sua identidade, autenticidade e sua autonomia, como pareceu fazer no passado. No mundo corporativo, corremos o risco de gourmetizar a IA a ponto de afastar quem mais tem o que nos ensinar. Ferramenta nenhuma substitui a sensibilidade humana, o insight que nasce da vivência e a poesia de um autor diferenciado. A IA não cria o novo; ela recombina o que nós já fizemos. O coração da mensagem ainda é, e sempre será, humano. Como posso ajudar o Seo Domingos a ressignificar essa relação com a IA, sem barreiras técnicas? Pensei em caminhos simples: 1) Interação por Voz: Eliminar o teclado. Deixar que ele simplesmente converse com o gravador do ecossistema de IA, transformando seus desabafos e memórias em tópicos estruturados. 2) A IA como "Estagiário de Pesquisa": Ensiná-lo a usar a ferramenta não para escrever por ele, mas para buscar aquele sinônimo esquecido, checar uma data histórica ou sugerir caminhos de final para uma crônica que ele já começou. 3) Copiloto, não Piloto: Mostrar que a IA é o papel em branco que aceita provocações, mas a caneta e a palavra final são dele. Minha reflexão ainda em fase de construção: “Em um mercado que corre freneticamente para automatizar tudo, como estamos desenhando a tecnologia e os nossos processos para garantir que a IA seja uma ponte de inclusão para a sabedoria dos nossos veteranos, e não o muro que os isola do mundo? “ E você, que acha? Comenta aqui! #InclusaoEtaria #DiversidadeEtaria #FuturoDoTrabalho

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