Post by Alexandre Freitas Campos
Doutorando em História, mestre em Mídia, pós em Sociologia Política e Comunicação Pública, graduado em Jornalismo e Cinema/Audiovisual, assessor de comunicação em políticas públicas. Pesquisa divulgação científica
A MORTE DE GABRIEL GANLEY E O CAPITALISMO ESTÉTICO DE PLATAFORMA Um perfil no Twitter chamado Azusagakuyuki tinha seus milhares de seguidores no Japão. Era de uma menina jovem e bonita, de aparentemente uns 20 anos no máximo, que mostrava fotos de uma rotina de cuidados com sua motocicleta e de suas viagens a bordo do veículo pelo país. Entretanto alguns seguidores começaram a observar estranhezas em algumas dessas fotos, como um braço peludo aqui, um reflexo no espelho que não se assemelhava ao rosto da menina ali. Até que um programa da TV japonesa revelou a farsa. O perfil Azusagakuyuki na verdade pertencia a um homem de 50 anos chamado Zonggu, que admitiu usar aplicativos de edição de fotos para criar o alter ego de uma bela jovem. A explicação dele era simples: queria aumentar sua popularidade nas redes sociais e constatou que as pessoas preferem ver uma "bela mulher mais jovem" do que um homem mais velho. "Ninguém quer ver o que um homem normal de meia-idade, que cuida de sua motocicleta e tira fotos, posta em sua conta", disse Zonggu. O tiozão motociclista afirmou ter ficado surpreso com os resultados da edição em aplicativos que o tornou uma jovem mulher em seus posts. "Primeiro experimentei, e logo ficou bem legal. Agora eu consigo até 1.000 curtidas, enquanto antes costumava ter menos de 10" em cada foto, ele contou. Não estamos falando de uma diferença pequena e irrelevante em termos de engajamento e audiência. De menos de 10 curtidas para 1.000 curtidas há um fosso abissal escalado. À primeira vista pode não chamar a atenção, mas há alguma relação entre o caso do influenciador japonês e a morte do fisioculturista brasileiro Gabriel Ganley e essa relação pode ser pensada dentro do conceito de capitalismo estético de plataforma. O capitalismo estético de plataforma leva pessoas comuns a sentirem que precisam de aditivos para performar. Esses aditivos podem ser digitais, como aplicativos de edição e filtros em fotos, ou serem implementados diretamente no corpo, como procedimentos estéticos e anabolizantes. O humano, o natural, o cotidiano, passam a ser vistos como pouco, como insuficiente. Artigo completo: https://lnkd.in/dtAFyDjK #redessociais #midiasdigitais #saude #fitness #capitalismo #estetica #capitalismo